Minha teoria e' a seguinte: O Vision of the Seas foi construido sobre um cemiterio Viking. Porque esse e' o navio mais zicado do mundo, depois do Titanic, talvez.
Senao vejamos,
Estivemos em Ilha Grande, rolou aquele deslizamento monstro. Estivemos no Rio, enchente e deslizamento. Tivemos uma quarentena por infeccao intestinal. Nossa ultima estada em Salvador, tava tudo alagado, tambem. E, agora que chegamos na Europa, tem um vulcao mandando cinza pra todo lado e fechando o espaco aereo.
Bom, voce deve estar se perguntando como isso afeta um navio de cruzeiro. Pois afeta de montao. Pra comecar, os passageiros nao conseguem chegar ate o porto de partida. Resultado. Dos dois mil hospedes, temos 800. Segundo, a tripulacao que viria render os sobreviventes da temporada brasileira nao chegou. Ou seja, quem terminou o contrato foi embora e nao apareceu ninguem para ocupar a vaga. Estamos sensivelmente desfalcados. A ponto de eu ter que fazer parte da apresentacao do Village People na festa dos anos 70. (Agora eu vou dar uma pequena pausa para voce rir da minha cara)
Muito bem, voltando.
A situacao e' tao grave que existe a possibilidade de eu nao conseguir voo de volta para o Brasil, uma vez que eu desembarco na Noruega, fechadissima.
E como nao tem outro DJ, e' bem possivel que nao me deixem desembarcar sem o substituto chegar.
Do jeito que eu estou em modo "Tolerancia Zero", e' bem provavel que eu volte a nado, se me pedirem para extender contrato.
terça-feira, 20 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Diário de bordo. De volta `a Ilha da Madeira.
Pois muito bem. Estamos ca’ na il’da Mada’ira, como diriam os comediantes do Zorra Total que imitam portugueses. A primeira vez em que estive por aqui, não pude aproveitar muito. Era novembro e chovia pacas. Embalado pela primavera européia, a ilhota portuguesa (sem duplo sentido) pareceu acolhedora e charmosa.
De fato, a primavera na Europa tem seu glamour. Pode-se diferenciar claramente turistas de moradores, por exemplo. Os turistas são os mal-vestidos. Por todo lado que se olhe, vemos o homens de cachecol, o que me parece sofisticado e um tanto gay, assim como esse comentário. E mulheres de bota, ah, as mulheres de bota. A gente ate esquece o chule que as beldades devem ter.
A Ilha da Madeira tem um programa clássico de turista. O teleférico que leva ao alto da cidade, seguido pela decida de cesto. Vamos por partes. Muito crew brasileiro sugere que você suba de taxi ao invés de pegar o teleférico, por ser mais barato. Bem, muito crew brasileiro possui aquela clássica pobreza de espírito que nem Mega Sena acumulada resolve. Pegue o teleférico. A viagem e’ linda e vale os 10 euros. E, ao chegar ao topo da ilha, você tem que fazer a descida do cesto. São 37 euros para três pessoas, dentro de um trenó que e’, basicamente, um cesto de vime empurrado no asfalto por dois portugueses de chapéu. Juro. Afinal, quando você pensa em eficiência no transporte publico, você pensa em um trenó de vime empurrado ladeira abaixo com dois portugueses freiando o veiculo com a sola do sapato. Depois os patrícios reclamam.
O passeio dura 2km e e’ no meio da rua, entre os carros, passando por cruzamentos. Show. O problema e’ que o passeio para antes de você estar de volta ao nível do mar. Na verdade, para bem no meio do caminho. Ai temos que pagar outros 15 euros para o taxista completar o percurso ou camelar um pouco. Como eu sou sempre a favor da interação com os nativos, optei pelo taxi. Foi bom porque pude praticar meu português.
Em seu dialeto indecifrável, o motorista me contou que Madeira havia sofrido com as chuvas. Deslizamentos, enchentes. Cenário semelhante ao do Rio, guardadas as devidas proporções. Ele me proporcionou um city tour do horror pelos escombros das casas derrubadas. “Ca morreram 4 pessoas esmagadas”, “acolá morreram doze afogadas”. Todos os lugares estavam em obras. “Tal ca’ como la’ no Rio de Janeiro vivemos de turismo, pois”, dizia o bigodudo. Sim, ele tinha bigode. “A gente sabe que turista não quer ver escombros. Por isso estamos arrumando tudo depressinha”, concluiu. Coitado. Vou contar uma piada de brasileiro pra ele.
De fato, a primavera na Europa tem seu glamour. Pode-se diferenciar claramente turistas de moradores, por exemplo. Os turistas são os mal-vestidos. Por todo lado que se olhe, vemos o homens de cachecol, o que me parece sofisticado e um tanto gay, assim como esse comentário. E mulheres de bota, ah, as mulheres de bota. A gente ate esquece o chule que as beldades devem ter.
A Ilha da Madeira tem um programa clássico de turista. O teleférico que leva ao alto da cidade, seguido pela decida de cesto. Vamos por partes. Muito crew brasileiro sugere que você suba de taxi ao invés de pegar o teleférico, por ser mais barato. Bem, muito crew brasileiro possui aquela clássica pobreza de espírito que nem Mega Sena acumulada resolve. Pegue o teleférico. A viagem e’ linda e vale os 10 euros. E, ao chegar ao topo da ilha, você tem que fazer a descida do cesto. São 37 euros para três pessoas, dentro de um trenó que e’, basicamente, um cesto de vime empurrado no asfalto por dois portugueses de chapéu. Juro. Afinal, quando você pensa em eficiência no transporte publico, você pensa em um trenó de vime empurrado ladeira abaixo com dois portugueses freiando o veiculo com a sola do sapato. Depois os patrícios reclamam.
O passeio dura 2km e e’ no meio da rua, entre os carros, passando por cruzamentos. Show. O problema e’ que o passeio para antes de você estar de volta ao nível do mar. Na verdade, para bem no meio do caminho. Ai temos que pagar outros 15 euros para o taxista completar o percurso ou camelar um pouco. Como eu sou sempre a favor da interação com os nativos, optei pelo taxi. Foi bom porque pude praticar meu português.
Em seu dialeto indecifrável, o motorista me contou que Madeira havia sofrido com as chuvas. Deslizamentos, enchentes. Cenário semelhante ao do Rio, guardadas as devidas proporções. Ele me proporcionou um city tour do horror pelos escombros das casas derrubadas. “Ca morreram 4 pessoas esmagadas”, “acolá morreram doze afogadas”. Todos os lugares estavam em obras. “Tal ca’ como la’ no Rio de Janeiro vivemos de turismo, pois”, dizia o bigodudo. Sim, ele tinha bigode. “A gente sabe que turista não quer ver escombros. Por isso estamos arrumando tudo depressinha”, concluiu. Coitado. Vou contar uma piada de brasileiro pra ele.
Diário de Bordo: De Volta `a Ilha da Madeira.
Foram seis dias intermináveis de navegação ate que pudéssemos deixar para trás o território brasileiro. A medida que avançávamos em direção ao hemisfério norte, a brisa ia esfriando suavemente. Menos sutil foi a cerimônia de recepção para Netuno, simbolizando a travessia da linha do Equador (!). Funciona assim: todo navio tem pelo menos um obeso mórbido que geralmente e’ americano (vai entender) e que trabalha nos bastidores. Esse cara vai fazer as vezes de Papai Noel, Netuno, Coelho da Páscoa e outros seres mitológicos de vida sedentária. Alias, a diferença entre Papai Noel e Netuno e’ a coroa, o roupão roxo e as duas netunetes que ficam de par de vasos ladeando o trono que já foi de Santa Clauss uns meses atrás.
Mas vamos ao que interessa. Chegamos a Teneriffe, que e’ uma espécie de Punta Del Leste espanhola. O lugar e’ um paraíso fiscal e tem preços convidativos para eletrônicos e outros badulaques, apesar do euro ainda pesar um pouco. Dado interessante: as lojinhas de Teneriffe são em sua maioria geridas por indianos. Isso significa, não pechinchar meio que ofende. As lojas grandes, por sua vez, se ofendem se você tenta barganhar. Então, cuidado com o tamanho da loja. Nas grandes você tem mais garantia de proveniência e pode pagar em dólar com um cambio beeem mais interessante. Nas pequenas, o cambio e’ um assalto. Mas o preço pode cair consideravelmente.
Resultado disso e’ que gastei mais do que podia para meu humilde orçamento. Boa parte em vídeo-games (homens não crescem. Os brinquedos e’ que ficam mais caros). Com os últimos títulos do PS3 devidamente dublados em espanhol eu voltei para o navio aliviado por ter entrado em lojas que não vendiam a regata vermelha escrita “salva-gatas” que bombou na maldita temporada buziana.
Mas você deve estar se perguntando: e a ilha da madeira? Bem, como eu sei que uma boa parte dos nossos 12 leitores tem déficit de atenção e esse post já esta bem longuinho, falo das minhas aventuras por la no próximo post.
Mas vamos ao que interessa. Chegamos a Teneriffe, que e’ uma espécie de Punta Del Leste espanhola. O lugar e’ um paraíso fiscal e tem preços convidativos para eletrônicos e outros badulaques, apesar do euro ainda pesar um pouco. Dado interessante: as lojinhas de Teneriffe são em sua maioria geridas por indianos. Isso significa, não pechinchar meio que ofende. As lojas grandes, por sua vez, se ofendem se você tenta barganhar. Então, cuidado com o tamanho da loja. Nas grandes você tem mais garantia de proveniência e pode pagar em dólar com um cambio beeem mais interessante. Nas pequenas, o cambio e’ um assalto. Mas o preço pode cair consideravelmente.
Resultado disso e’ que gastei mais do que podia para meu humilde orçamento. Boa parte em vídeo-games (homens não crescem. Os brinquedos e’ que ficam mais caros). Com os últimos títulos do PS3 devidamente dublados em espanhol eu voltei para o navio aliviado por ter entrado em lojas que não vendiam a regata vermelha escrita “salva-gatas” que bombou na maldita temporada buziana.
Mas você deve estar se perguntando: e a ilha da madeira? Bem, como eu sei que uma boa parte dos nossos 12 leitores tem déficit de atenção e esse post já esta bem longuinho, falo das minhas aventuras por la no próximo post.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Diário de Bordo. Avisos aos Navegantes.
Nem todo mundo que visita esse blog pretende trabalhar abordo. Uma parte considerável da minha seleta audiência é formada por gente que tem interesse na experiência de cruzeiro. Pois muito bem. Vamos tirar alguns momentos para falar para esse público. Segue abaixo uma lista de coisas que todo mundo devia saber sobre cruzeiros, mas o idiota do seu agente de viagens esqueceu de mencionar.
1 - Cruzeiro é barato!
Houve uma época em que a economia brasileira não nos permitia brincar de fazer cruzeiro. Felizmente, isso acabou. Mas, o estigma da viagem de navio ser programa de velho milionário continua no imaginário da população. Bem, não é mais assim. Hoje em dia você consegue fazer um cruzeiro de 3 dias por menos de 400 reais. Em 10 vezes no cartão. Francamente, existem poucos programas de férias em que se gaste menos que isso. A sua famosa viagem de carro pra Búzios, por exemplo, vai sair beeeem mais cara, com muito mais dor de cabeça e aborrecimento do que se você entrar num navio e desembarcar lá, com todo conforto e tranquilidade.
2 - Cada um sabe o cruzeiro que lhe cabe.
Outra coisa que brasileiro ainda não entende é que o preço, ainda que convidativo, não deve ser a única preocupação. Existem cruzeiros e cruzeiros. Dependendo da época do ano, do itinerário, da companhia em que vc viaja e - principalmente - do que você espera encontrar na sua viagem de férias, você pode se dar muito bem ou muito mal, independente do quanto custou sua passagem.
Senão vejamos:
Quem gosta de balada, gente jovem e pegação (os famosos carnavios, como chamamos) deve procurar cruzeiros mais curtos, de preferência de fim de semana, fora das datas comemorativas (a não ser carnaval, claro) e entre dezembro e janeiro. De preferência, no Brasil. Se for pelos EUA, durante o Spring Break.
Outra opção para esse público são os cruzeiros temáticos. Tem pra todo mundo: Cruzeiro Sertanejo, de time de futebol, cruzeiro gay e até cruzeiro evangélico. Cruzeiros temáticos costumam ser um pouco mais caros e acontecem uma vez ao ano. Mas vale a pena para quem é fanático pelo tema em questão.
Já quem vai com família deve procurar os cruzeiros mais longos, de sete dias, durante as férias escolares e, de preferência, nas datas comemorativas (Natal, ano novo. Carnaval, melhor não.)
Se você tá se lixando para a formação escolar do seu filho, fim de temporada brasileira (março), oferece melhores preços para esses cruzeiros.
3 - Explorador dos sete mares.
Quem nunca fez cruzeiro, eu recomendo que comece pela costa brasileira. A navegação é relativamente tranquila e o choque cultural não é tão grande. Boa parte da tripulação fala sua língua, os portos são familiares, os shows são relativamente adaptados para o gosto brasileiro, assim como a balada.
Se, depois do seu primeiro cruzeiro você se animar, experimente um cruzeiro internacional. Caribe ou Mediterrâneo são boas pedidas. Aí sim você vai viver a verdadeira experiência de cruzeiro.
Acontece que o custo-Brasil prejudica muito a qualidade do serviço das companhias. A máfia do porto de Santos só permite que se comprem alimentos super-faturados e de baixíssima qualidade. O que significa queda na qualidade da comida abordo. A Máfia da marinha exige umas certificações absurdas dos brasileiros que trabalham em cruzeiro na nossa costa. Isso, por sua vez, faz decair muito a qualidade das apresentações artísticas que podem ser exibidas abordo.
Longe das nossas nefastas autoridades, a experiência da viagem de cruzeiro cresce a olhos vistos.
Melhores shows, comida de altíssima qualidade e navios realmente impressionantes, diferentes dos barquinhos que nossos portos tem capacidade de acolher.
E o preço nem é tão mais alto. Em fim de temporada pelo mediterrâneo, um cruzeiro de sete dias pode sair razoáveis 1500 dólares (antes que os sovinas de plantão gritem, esclareço. São seis portos, 3 países com tudo incluso. Tente fazer o mesmo itinerário por sua conta e veja quanto sai).
Agora, quem quer ir pra balada, fique no Brasil. Cruzeiros pela Europa são cheios de famílias, velhos e obesos mórbidos. Mas, se você vier com um grupo festeiro, dá pra virar o jogo.
4 - Crossing é pra profissional ou pra mudança.
Muita gente fantasia fazer a travessia do Oceano Atlântico num navio de cruzeiro. Só recomendo para quem já tem algum tempo de férias em cruzeiro. A travessia é feita em baixa temporada (mares revoltos) leva cerca de 14 dias (sendo que seis são em alto mar) e costuma ser bem claustrofóbico. No entanto, é uma boa opção para quem está de mudança para um outro continente. Como o navio não cobra excesso de bagagem, dá pra colocar sua casa abordo. Desde que ela caiba na sua cabine dentro do navio. E, dependendo da cabine, não cabe muita coisa não.
5 - Vai de suíte, seu muxiba!
As cabines mais baratas de um navio de cruzeiro ficam geralmente no segundo andar. As janelas mal e porcamente podem receber esse nome e o conforto é mínimo. Um upgrade para uma suíte pode fazer toda a diferença em termos de conforto, com direito a sacada e tudo mais. Eu recomendo.
1 - Cruzeiro é barato!
Houve uma época em que a economia brasileira não nos permitia brincar de fazer cruzeiro. Felizmente, isso acabou. Mas, o estigma da viagem de navio ser programa de velho milionário continua no imaginário da população. Bem, não é mais assim. Hoje em dia você consegue fazer um cruzeiro de 3 dias por menos de 400 reais. Em 10 vezes no cartão. Francamente, existem poucos programas de férias em que se gaste menos que isso. A sua famosa viagem de carro pra Búzios, por exemplo, vai sair beeeem mais cara, com muito mais dor de cabeça e aborrecimento do que se você entrar num navio e desembarcar lá, com todo conforto e tranquilidade.
2 - Cada um sabe o cruzeiro que lhe cabe.
Outra coisa que brasileiro ainda não entende é que o preço, ainda que convidativo, não deve ser a única preocupação. Existem cruzeiros e cruzeiros. Dependendo da época do ano, do itinerário, da companhia em que vc viaja e - principalmente - do que você espera encontrar na sua viagem de férias, você pode se dar muito bem ou muito mal, independente do quanto custou sua passagem.
Senão vejamos:
Quem gosta de balada, gente jovem e pegação (os famosos carnavios, como chamamos) deve procurar cruzeiros mais curtos, de preferência de fim de semana, fora das datas comemorativas (a não ser carnaval, claro) e entre dezembro e janeiro. De preferência, no Brasil. Se for pelos EUA, durante o Spring Break.
Outra opção para esse público são os cruzeiros temáticos. Tem pra todo mundo: Cruzeiro Sertanejo, de time de futebol, cruzeiro gay e até cruzeiro evangélico. Cruzeiros temáticos costumam ser um pouco mais caros e acontecem uma vez ao ano. Mas vale a pena para quem é fanático pelo tema em questão.
Já quem vai com família deve procurar os cruzeiros mais longos, de sete dias, durante as férias escolares e, de preferência, nas datas comemorativas (Natal, ano novo. Carnaval, melhor não.)
Se você tá se lixando para a formação escolar do seu filho, fim de temporada brasileira (março), oferece melhores preços para esses cruzeiros.
3 - Explorador dos sete mares.
Quem nunca fez cruzeiro, eu recomendo que comece pela costa brasileira. A navegação é relativamente tranquila e o choque cultural não é tão grande. Boa parte da tripulação fala sua língua, os portos são familiares, os shows são relativamente adaptados para o gosto brasileiro, assim como a balada.
Se, depois do seu primeiro cruzeiro você se animar, experimente um cruzeiro internacional. Caribe ou Mediterrâneo são boas pedidas. Aí sim você vai viver a verdadeira experiência de cruzeiro.
Acontece que o custo-Brasil prejudica muito a qualidade do serviço das companhias. A máfia do porto de Santos só permite que se comprem alimentos super-faturados e de baixíssima qualidade. O que significa queda na qualidade da comida abordo. A Máfia da marinha exige umas certificações absurdas dos brasileiros que trabalham em cruzeiro na nossa costa. Isso, por sua vez, faz decair muito a qualidade das apresentações artísticas que podem ser exibidas abordo.
Longe das nossas nefastas autoridades, a experiência da viagem de cruzeiro cresce a olhos vistos.
Melhores shows, comida de altíssima qualidade e navios realmente impressionantes, diferentes dos barquinhos que nossos portos tem capacidade de acolher.
E o preço nem é tão mais alto. Em fim de temporada pelo mediterrâneo, um cruzeiro de sete dias pode sair razoáveis 1500 dólares (antes que os sovinas de plantão gritem, esclareço. São seis portos, 3 países com tudo incluso. Tente fazer o mesmo itinerário por sua conta e veja quanto sai).
Agora, quem quer ir pra balada, fique no Brasil. Cruzeiros pela Europa são cheios de famílias, velhos e obesos mórbidos. Mas, se você vier com um grupo festeiro, dá pra virar o jogo.
4 - Crossing é pra profissional ou pra mudança.
Muita gente fantasia fazer a travessia do Oceano Atlântico num navio de cruzeiro. Só recomendo para quem já tem algum tempo de férias em cruzeiro. A travessia é feita em baixa temporada (mares revoltos) leva cerca de 14 dias (sendo que seis são em alto mar) e costuma ser bem claustrofóbico. No entanto, é uma boa opção para quem está de mudança para um outro continente. Como o navio não cobra excesso de bagagem, dá pra colocar sua casa abordo. Desde que ela caiba na sua cabine dentro do navio. E, dependendo da cabine, não cabe muita coisa não.
5 - Vai de suíte, seu muxiba!
As cabines mais baratas de um navio de cruzeiro ficam geralmente no segundo andar. As janelas mal e porcamente podem receber esse nome e o conforto é mínimo. Um upgrade para uma suíte pode fazer toda a diferença em termos de conforto, com direito a sacada e tudo mais. Eu recomendo.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Diario de Bordo. Se você pensa que cachaça é água.
Hóspede brasileiro é um cara engraçado. Sempre tentando dar um jeito de burlar a lei do navio. Tem gente que pega pesado, trazendo 300 pastilhas de ecstasy pra vender pra geral. Mas a maioria só tem um sonho náutico: entrar no navio com cachaça.
Obviamente, é proibido. Ora bolas, boa parte do lucro da companhia vem da venda de álcool.
E existem tantas outras companhias onde bebidas são incluídas na passagem que você paga em 10 vezes de 30 reais no cartão sem juros e sem entrada. Não precisa vir fazer baixaria na nossa firma.
E mesmo outras concorrentes, como a Costa, que também não permitem que se traga mé abordo, costumam ser menos vigilantes. Mas na Royal, não rola.
De qualquer forma, é super divertido observar as criativas tentativas de contrabando que aparecem todo santo cruzeiro.
A mais comum, é claro, é a garrafa de água mineral cheia de vodka. No MOB, a rave do navio, teve um cara-de-pau que trouxe dois galões de seis litros cheios de "água mineral". Pessoalmente eu acho que tinha que ter deixado o cara entrar com a mercadoria e fazer o cidadão beber os 12 litros de vodka nos 3 dias de cruzeiro. Porque gente sem noção não precisa de fígado, né?
Toda bagagem que entra no navio passa por duas máquinas de raio x. Uma na alfândega, procurando por armas, bombas, etc., e outra já abordo, buscando a mardita. Algumas "mentes da ciência" acreditam que, se você embrulhar a garrafa em papel carbono, o raio-x não vai ver o líquido. Vê, sim.
Tem gente que se inspira no Código DaVinci. Um embrulho de presente. Você abre o papel de embrulho, é uma caixa de secador de cabelo. Você abre a caixa, tem uma bola de papel jornal. Dentro da bola de papel jornal, tem um vidro de perfume. Dentro do vidro de perfume: Smirnoff Ice. Tudo bem que pra alguns é uma arte, mas é muito trabalho pra passar atestado de pobre, não é?
Obviamente, é proibido. Ora bolas, boa parte do lucro da companhia vem da venda de álcool.
E existem tantas outras companhias onde bebidas são incluídas na passagem que você paga em 10 vezes de 30 reais no cartão sem juros e sem entrada. Não precisa vir fazer baixaria na nossa firma.
E mesmo outras concorrentes, como a Costa, que também não permitem que se traga mé abordo, costumam ser menos vigilantes. Mas na Royal, não rola.
De qualquer forma, é super divertido observar as criativas tentativas de contrabando que aparecem todo santo cruzeiro.
A mais comum, é claro, é a garrafa de água mineral cheia de vodka. No MOB, a rave do navio, teve um cara-de-pau que trouxe dois galões de seis litros cheios de "água mineral". Pessoalmente eu acho que tinha que ter deixado o cara entrar com a mercadoria e fazer o cidadão beber os 12 litros de vodka nos 3 dias de cruzeiro. Porque gente sem noção não precisa de fígado, né?
Toda bagagem que entra no navio passa por duas máquinas de raio x. Uma na alfândega, procurando por armas, bombas, etc., e outra já abordo, buscando a mardita. Algumas "mentes da ciência" acreditam que, se você embrulhar a garrafa em papel carbono, o raio-x não vai ver o líquido. Vê, sim.
Tem gente que se inspira no Código DaVinci. Um embrulho de presente. Você abre o papel de embrulho, é uma caixa de secador de cabelo. Você abre a caixa, tem uma bola de papel jornal. Dentro da bola de papel jornal, tem um vidro de perfume. Dentro do vidro de perfume: Smirnoff Ice. Tudo bem que pra alguns é uma arte, mas é muito trabalho pra passar atestado de pobre, não é?
quinta-feira, 11 de março de 2010
Diário de Bordo. É Carnaval em Salvador.
Uma expressão conhecida entre os hóspedes acostumados com a rotina de navio é o famoso "carnavio", que é, obviamente, um cruzeiro feito durante o carnaval. Fora deste contexto, usamos a expressão para qualquer itinerário em que haja muitos jovens, muita gente festeira, muita bebedeira e pegação dentro de um navio de cruzeiros. Charters - aqueles que falamos anteriormente - são considerados carnavios. E cruzeiros de fim de semana que custam 400 reais e podem ser pagos em 10 vezes no cartão, tipo Casas Bahia, também costumam ser carnavios.
Daí, era de se esperar que o cruzeiro de carnaval fizesse jus ao nome. Bem, fez e não fez.
Sem dúvida, muitos jovens, sem dúvida, muita festa. Boate aberta até as sete, oito da manhã (ontem, por exemplo, fechei as três.) enfim. Tudo como manda o figurino, mas com uma relativa paz e tranquilidade que davam gosto. Foi tudo muito agradável. Até chegarmos em Salvador para o nosso overnight.
Overnight é quando um navio "dorme" no porto, possibilitando aos hóspedes a visitação das cidades durante a noite. Nada melhor para uma terça de carnaval. A tripulação do navio estava em polvorosa com a idéia do overnight. Muitos compraram camarotes a 400 reais a cabeça para poder ver o trio elétrico passar. Eu fiquei no navio. Afinal, a boate tinha que ficar aberta.
Não gosto de me depreciar muito. Mas pense comigo. Entre pular atrás do bloco do Chiclete com Banana e da Ivete Sangalo e ficar na Viking Crown ao som do DJ Rodrigo Amém, o que você teria feito? Pois não é que um grupinho de umas 50 pessoas preferiu ficar na boate?
Porque essas pessoas resolveram fazer cruzeiro de carnaval em Salvador está além da minha compreensão.
Mas outras coisas que eu não compreendia foram-me elucidadas. Uma hóspede, expert em folia soteropolitana, explicava para as amigas a melhor estratégia para pular atrás do trio.
Segundo ela, o segredo é usar bermuda de cores escuras e carregar sempre uma garrafinha de água mineral. Porque, no meio do trio, a garota vai sentir vontade de fazer xixi. Aí o esquema é fazer na calça e se lavar com a água mineral. Juro por Deus que ela mandou essa como se fosse o segredo para cultivar azeitona sem caroço.
Posso ser um cara meio reacionário, mas dificilmente me convenceriam a pagar 400 reais por uma camiseta feia e biodegradável que me dá direito a passar calor espremido no meio de uma multidão suada que urina nas calças, lava com agua mineral quente e depois tenta me beijar na boca.
Haja rebolation.
Daí, era de se esperar que o cruzeiro de carnaval fizesse jus ao nome. Bem, fez e não fez.
Sem dúvida, muitos jovens, sem dúvida, muita festa. Boate aberta até as sete, oito da manhã (ontem, por exemplo, fechei as três.) enfim. Tudo como manda o figurino, mas com uma relativa paz e tranquilidade que davam gosto. Foi tudo muito agradável. Até chegarmos em Salvador para o nosso overnight.
Overnight é quando um navio "dorme" no porto, possibilitando aos hóspedes a visitação das cidades durante a noite. Nada melhor para uma terça de carnaval. A tripulação do navio estava em polvorosa com a idéia do overnight. Muitos compraram camarotes a 400 reais a cabeça para poder ver o trio elétrico passar. Eu fiquei no navio. Afinal, a boate tinha que ficar aberta.
Não gosto de me depreciar muito. Mas pense comigo. Entre pular atrás do bloco do Chiclete com Banana e da Ivete Sangalo e ficar na Viking Crown ao som do DJ Rodrigo Amém, o que você teria feito? Pois não é que um grupinho de umas 50 pessoas preferiu ficar na boate?
Porque essas pessoas resolveram fazer cruzeiro de carnaval em Salvador está além da minha compreensão.
Mas outras coisas que eu não compreendia foram-me elucidadas. Uma hóspede, expert em folia soteropolitana, explicava para as amigas a melhor estratégia para pular atrás do trio.
Segundo ela, o segredo é usar bermuda de cores escuras e carregar sempre uma garrafinha de água mineral. Porque, no meio do trio, a garota vai sentir vontade de fazer xixi. Aí o esquema é fazer na calça e se lavar com a água mineral. Juro por Deus que ela mandou essa como se fosse o segredo para cultivar azeitona sem caroço.
Posso ser um cara meio reacionário, mas dificilmente me convenceriam a pagar 400 reais por uma camiseta feia e biodegradável que me dá direito a passar calor espremido no meio de uma multidão suada que urina nas calças, lava com agua mineral quente e depois tenta me beijar na boca.
Haja rebolation.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Diario de bordo. Charters - Parte IV
E o último cruzeiro fretado desta temporada do Vision of the Seas foi o Freedom, o cruzeiro gay. Ou GLS. Ou GLBT. Ou sei lá qual o nome que se dá pra esse pessoal que mexe com dação de bunda. Mas o fato é que o cruzeiro foi um sucesso. A produção trouxe quilos de equipamentos, trocentos DJs, muito luxo, glamour e purpurina do jeito que a clientela gosta.
Foi um cruzeiro até mais ecológico. Pudemos desligar o ar condicionado e poupar energia, porque a frescura dentro do navio era tanta que já resolvia a situação.
Atingimos a lotação máxima do Vision. Achei até que não teria jogo do São Paulo na rodada.
Piadas à parte, foi um cruzeiro que deu bastante trabalho.
Tivemos palestras de sensibilização sobre como tratar os passageros. Desde coisas óbvias como não ficar olhando com cara horrorizada os dois lutadores de jiu-jitsu se beijando na piscina até coisas mais risíveis como usar o genero feminino tanto para homens quanto para mulheres.
Tivemos várias prisões por tráfico de drogas. Mas, no geral, foi um cruzeiro pacífico.
Mais uma vez, não trabalhei. E mais uma vez, fizeram uma festa para o crew. Só que, desta vez, a festa foi no clubinho de recreação infantil, que estava obviamente fechado para o evento.
Desta vez, bebi moderadamente. Pena que o mesmo não pode ser dito do meu chefe, que tomou todas e derrubou cerveja na mesa de som do clubinho, acabando com a festa. Ah, claro. E teve um baile de máscaras onde a criatividade dos hóspedes A-RRA-SOU!
Foi um cruzeiro até mais ecológico. Pudemos desligar o ar condicionado e poupar energia, porque a frescura dentro do navio era tanta que já resolvia a situação.
Atingimos a lotação máxima do Vision. Achei até que não teria jogo do São Paulo na rodada.
Piadas à parte, foi um cruzeiro que deu bastante trabalho.
Tivemos palestras de sensibilização sobre como tratar os passageros. Desde coisas óbvias como não ficar olhando com cara horrorizada os dois lutadores de jiu-jitsu se beijando na piscina até coisas mais risíveis como usar o genero feminino tanto para homens quanto para mulheres.
Tivemos várias prisões por tráfico de drogas. Mas, no geral, foi um cruzeiro pacífico.
Mais uma vez, não trabalhei. E mais uma vez, fizeram uma festa para o crew. Só que, desta vez, a festa foi no clubinho de recreação infantil, que estava obviamente fechado para o evento.
Desta vez, bebi moderadamente. Pena que o mesmo não pode ser dito do meu chefe, que tomou todas e derrubou cerveja na mesa de som do clubinho, acabando com a festa. Ah, claro. E teve um baile de máscaras onde a criatividade dos hóspedes A-RRA-SOU!
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