quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Diário de Bordo. Cerveza do Dia: Santa Denise, boa de birra.


Estamos em Civitta Veccia, o porto para quem tem boca, e vai a Roma. O clima não é dos melhores. Venta, chove, mar de ressaca. Civitta Veccia é bem diferente de Nápoles, a primeira cidade italiana do itinerário. Trata-se de um município menor, mais arrumado. As ruas limpas, a arquitetura que se espera de cidades antigas do velho continente. Enfim, realmente parece com uma cidade da Europa. Já Nápoles é povoada de Hondas Biz e outras versões modernosas de lambretas. Um lugar sujo, caótico, quente, cheia de mendigos, engarrafamentos. Nápoles lembra, enfim, Botafogo. Talvez até por isso eu me sinta mais confortável lá.
Vou aproveitar o momento para fazer um pequeno adendo – muito respeitoso – sobre as mulheres italianas. Bonitas? Ecco. Não fosse a bizarra mania de usar maquiagem de atriz pornô dos anos 80 às nove da manhã. E os panos. Sabe aqueles cachecóis levinhos pra mulher? (echarpe, acho) Pode estar um calor sudanês – e geralmente está, nesta época do ano – que elas colocam aquela porcaria ao redor do pescoço. Com camisetinha regata, shortinho e botas de cowboy. E chapéu à Justin Timberlake. É o uniforme da periguete napolitana. Que só não é pior que o uniforme da polícia napolitana. Clássica camisa azul, quepe, botas de montaria e uma calça de veludo colante que dá a impressão que tem uma convenção do Village People na cidade.
Mas, voltando a Civitta Veccia:
Arrumadinha, uma praia simpática com parquinho de diversões e tudo. O único problema é que, na Itália, existe o desagradável hábito da “siesta”. Ou seja, o comércio fecha para o almoço. Um problema frustrante para turistas com horário para voltar ao navio. Era de se esperar que um país que pretende ter no turismo uma importante fonte de renda, já tivesse se livrado dessas “tradições”. Na boa, não importa o quanto um hábito esteja embutido nos usos e costumes de um povo, tem uma hora que é preciso parar com a palhaçada. Cuspir no chão, arrotar para elogiar a comida e fechar as lojas na cara dos clientes, francamente, não pode mais.
Posso estar parecendo intolerante, mas não é o caso. Restaurante fecha pro almoço na maledita cittá.
De qualquer maneira, consegui comprar num supermercado semi-aberto a nossa cerveza, ou melhor, birra do dia. (Meio constrangedor, às 11 da manhã, você entrar na fila do caixa com uma garrafa de cerveja, um abridor e um pacote de pilhas. A mocinha do caixa deve ter ficado com uma péssima impressão minha. Isso porque ela não me viu tomando a cerveja sozinha no banco da praça. Chamo essa experiência de “Alcoólatra por um Dia”.)
Apresento Santa Denise. Nada mais típico da região do que uma cerveja com nome de santo. Só falta agora lançarem a camisinha João Paulo II.
Santa Denise é uma cerveja saborosa, vem numa garrafa que parece de champagne e tem inacreditáveis 7,2% de teor alcoólico. Talvez daí venha o nome católico. Depois de tomar algumas Santa Denise, você também vai ver deus.

4 comentários:

  1. O bom de você não estar em botafogo é que se você tivesse talvez a moça do caixa pudesse te reconhecer na Cobal outro dia. Mas aí a moça do caixa nunca mais vai te ver.

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  2. Não gosto de Napole. Não gostei de Civitavecchia. Só gostei de Roma mesmo, se tratando de Itália.

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  3. Olá! Achei teu blog nessas andanças pré-1o-embarque e adorei! Seu texto, sua narração...como não lê-lo do começo ao fim de uma só vez? Keep telling us all the truth...:)
    Beijos e nos vemos nos portos da vida!

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  4. Rodrigo,

    Que maravilha! Enfim o barco sarpou!! APROVEITE!!! São viagens unicas, ficamos aqui acompanhando e prontos para recebe-lo quando para por aqui.

    Um abração

    Dinho

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