Passei um tempo sem escrever por varios motivos. Primeiro, o novo navio nao dispoe das mesmas regalias para crew members que o Voyager oferecia. O Vision of the Seas e´ mais antigo, e nem todas as tecnologias sao de facil acesso. Por exemplo, ao chegar abordo, eu recebi um Bip. Sim, um pager. Para quando meu chefe precisar me localizar. Eu nao via um bip tinha uns 15 anos. Se esse navio fosse um pouco mais antigo, acho que eles mandavam a Lessie me procurar quando precisassem de mim.
Pois muito bem, a travessia de Portugal ao Brasil foi interessante. Na medida que e' interessante ficar 14 dias dentro de um asilo que balanca. A me'dia de idade dos guests dava a entender que este era o segundo crossing deles, pelo menos. No primeiro, durante a festa do Comandante, eles provavelmente tiraram fotos ao lado de Pedro Alvares Cabral.
Antes do Brasil, estivemos na Ilha da Madeira e em Teneriffe. Lugarezinhos de atrativos naturais agradáveis e com bons precos para muamba. Quase uma Foz do Iguacu na Europa.
A medida em que nos aproximamos do equador, o clima melhorou e o navio parou de balancar. Chegamos em Recife, no Marco Zero, onde eu comi um camarão para o qual eu daria a mesma nota.
Logo depois estavamos na Bahia. Nao pude conhecer muito Salvador pq estava trabalhando. Tai duas palavras que eu nunca esperava usar na mesma frase.
A chegada no Rio foi um espetaculo a parte. Nao sei se muitos cariocas ja tiveram a oportunidade de contemplar a cidade pelo angulo de quem chega ao porto, mas vale a pena. Tirei algumas fotos, publicarei em seguida.
Os poucos gringos que ainda trabalham abordo ficaram maravilhados com nossa cidade maravilhosa. E nenhum foi assaltado! A situação no Brasil ta melhorando meeesmo.
Em Santos, começamos oficialmente a temporada brasileira. o que significou basicamente duas coisas: Os bebados começaram a cantarolar pra mim as musicas que eles queriam ouvir e não sabiam o nome. E, e' claro, rolou a primeira briga na boate. Entre cariocas e paulistas. O motivo foi mulher, futebol, recalque, sei lá. Coisa de bebado. E um briga de moça, prontamente apartada pelos seguranças, antes que alguém quebrasse a unha.
Aliás, só o Brasil poderia me proporcionar a bizarra situação da carteirada musical.
Explico:
Na boate, minha política é simples: toco qualquer música que o guest queira peça. Sem preconceitos ou pudores. Chegou, pediu, ouviu. Eu teria que me importar muito mais para me sentir artísticamente afrontado pelos "requests". Mas, como eu to tocando e andando, o cliente tem seeempre razão.
Ainda assim, tem gente que sente a necessidade de dar carteirada de "otoridade" para fazer sua solicitação valer. Algo do tipo: "Ei, DJ! Eu sou o Presidente Nacional dos Representantes de Venda de Pamonha no Atacado do Vale do Paraíba! Pô, toca um forró, aí!"
Claro, Vossa Excelência, claro...
sábado, 5 de dezembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Diario de Bordo. Farofa de formiga.
Como vocês, meus nobres leitores, sabem, fui transferido para o Vision of The Seas. O plano era simples: um mês de férias no Brasil, depois me encontraria com meu novo endereço no porto de Santos. Mas a Royal mudou de idéia. Tive uma semana de férias no Brasil, depois fui mandando de volta ao velho mundo, mais precisamente Portugal, para pegar o navio e fazer a travessia oceânica em direção ao... Rio de Janeiro. Pode ser por causa dos pasteizinhos de Belém que eu andei comendo, mas esse plano de viagem me soa meio lusitano.
Enfim, o dinheiro é deles, a milhagem é minha, não estou aqui pra reclamar. Manda quem pode, obedece quem tem juízo e cá estou, o pá, em Lisboa.
Uma cidadezinha agradável, cheia de conjuntinhos habitacionais que parecem uma Singapura européia. Comida muito agradável, hotel confortabilíssimo. E muuuito brasileiro. Meu companheiro de quarto é um curitibano indo para seu primeiro contrato como assistant waiter. Fico me perguntando se eu era tão ansioso e tenso assim quando comecei. O cara perguntou do plano de carreira até como faz pra passar roupa a bordo.
Respondi tudo o que pude (não sei como faz pra passar roupa a bordo. Só sei que tem um ferro na lavanderia, mas nunca usei) e procurei tranquilizar o cidadão, mas não tive muito sucesso. Não dá pra preparar ninguém pra essa vida que a gente leva.
Tem coisas na vida que carecem de comparação. E vida a bordo é como comer farofa de formiga. Tem quem goste, tem quem odeie. Mas todo mundo vai explicar o gosto da mesma forma: Tem gosto de formiga, oras!
Enfim, o dinheiro é deles, a milhagem é minha, não estou aqui pra reclamar. Manda quem pode, obedece quem tem juízo e cá estou, o pá, em Lisboa.
Uma cidadezinha agradável, cheia de conjuntinhos habitacionais que parecem uma Singapura européia. Comida muito agradável, hotel confortabilíssimo. E muuuito brasileiro. Meu companheiro de quarto é um curitibano indo para seu primeiro contrato como assistant waiter. Fico me perguntando se eu era tão ansioso e tenso assim quando comecei. O cara perguntou do plano de carreira até como faz pra passar roupa a bordo.
Respondi tudo o que pude (não sei como faz pra passar roupa a bordo. Só sei que tem um ferro na lavanderia, mas nunca usei) e procurei tranquilizar o cidadão, mas não tive muito sucesso. Não dá pra preparar ninguém pra essa vida que a gente leva.
Tem coisas na vida que carecem de comparação. E vida a bordo é como comer farofa de formiga. Tem quem goste, tem quem odeie. Mas todo mundo vai explicar o gosto da mesma forma: Tem gosto de formiga, oras!
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Diario de Bordo. O inverno chegou.
Um bom conhecedor dos mares sabe notar os indicadores de mudanca de estacao. Como a unica coisa que eu sei sobre mar e' que ele e' cheio d'agua, passei a utilizar meus poderes de observacao para desvendar os misterios da natureza maritima.
O primeiro sinal de que o tempo ia comecar a virar e' que o navio encheu de brasileiro. Indicativo de que a baixa temporada estava para comecar.
E que alegria ter os guests conterraneos a bordo! Povo europeu naum sabe fazer festa. E' preciso um grupo de brasileiros para deixar a seguranca tensa e os velhinhos ingleses indignados. E teve creu, teve mr. catra, teve ate Sidney Magal, para desespero de todos. Teve alemao que queria voltar a nado pra casa.
Outra prova da mudanca climatica foi o furacao no meio do itinerario. Ate onde eu sei, os brasileiros naum tiveram nada a ver com isso. Mas o sagaz Cap. Patrick desviou a rota e ficou tudo bem. A nao ser pelo fato de que passamos um dia inteiro enclausurados a bordo, sem poder sair para as areas ao ar livre. Durante esse periodo, o navio balancou mais que pelanca de personal trainer gordo. O resultado e' que metade dos passageiros passou a exibir um saudavel tom esverdeado na face. Nao podem reclamar que nao pegaram uma cor nas ferias.
E esta semana, finalmente, o frio tornou-se uma presenca concreta. E a mudanca foi selada com a chegada dos mexicanos, que agora invadem a nau.
E fico eu, na friaca, tocando salsa e sentindo falta dos brasileiros, do creu e do Sidney Magal. Tai uma frase que eu nunca pensei que diria.
P.S.: Achei esse video no youtube feito por um guest, bem antes de eu embarcar. Da pra ter uma boa ideia de como e' a casinha.
http://www.youtube.com/watch?v=jjHbGsFKmzU&feature=PlayList&p=2BD9CFAF5E591A16&playnext=1&playnext_from=PL&index=9
E para provar que isso de brasileiro provocar tumulto e' intriga da oposicao, tivemos um furacao no meio do itinerario.
O primeiro sinal de que o tempo ia comecar a virar e' que o navio encheu de brasileiro. Indicativo de que a baixa temporada estava para comecar.
E que alegria ter os guests conterraneos a bordo! Povo europeu naum sabe fazer festa. E' preciso um grupo de brasileiros para deixar a seguranca tensa e os velhinhos ingleses indignados. E teve creu, teve mr. catra, teve ate Sidney Magal, para desespero de todos. Teve alemao que queria voltar a nado pra casa.
Outra prova da mudanca climatica foi o furacao no meio do itinerario. Ate onde eu sei, os brasileiros naum tiveram nada a ver com isso. Mas o sagaz Cap. Patrick desviou a rota e ficou tudo bem. A nao ser pelo fato de que passamos um dia inteiro enclausurados a bordo, sem poder sair para as areas ao ar livre. Durante esse periodo, o navio balancou mais que pelanca de personal trainer gordo. O resultado e' que metade dos passageiros passou a exibir um saudavel tom esverdeado na face. Nao podem reclamar que nao pegaram uma cor nas ferias.
E esta semana, finalmente, o frio tornou-se uma presenca concreta. E a mudanca foi selada com a chegada dos mexicanos, que agora invadem a nau.
E fico eu, na friaca, tocando salsa e sentindo falta dos brasileiros, do creu e do Sidney Magal. Tai uma frase que eu nunca pensei que diria.
P.S.: Achei esse video no youtube feito por um guest, bem antes de eu embarcar. Da pra ter uma boa ideia de como e' a casinha.
http://www.youtube.com/watch?v=jjHbGsFKmzU&feature=PlayList&p=2BD9CFAF5E591A16&playnext=1&playnext_from=PL&index=9
E para provar que isso de brasileiro provocar tumulto e' intriga da oposicao, tivemos um furacao no meio do itinerario.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Diario de Bordo: Gente que faz 2
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